A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), integrante da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Salvador e dirigente do Sindsaúde-BA, participou, na manhã desta terça-feira (18), de uma mobilização de servidores municipais da Saúde contra a mudança na escala de trabalho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e das unidades de emergência de Salvador. O ato ocorreu em frente à sede da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), no Comércio.
A categoria protesta contra a alteração, de 24 para 12 horas, determinada pela Portaria nº 277/2026. Segundo os servidores, a mudança foi implementada sem aviso prévio ou negociação com os trabalhadores.
Durante a mobilização, Aladilce afirmou que pretende colocar o mandato à disposição da categoria e convocar uma audiência pública na Câmara Municipal, se possível ainda neste mês, para discutir a medida com representantes dos servidores e do Executivo municipal.
“A Portaria 277/2026 pegou a categoria de surpresa, como se fosse uma punição. E escala de trabalho não pode ser usada como punição”, afirmou a vereadora.
Segundo Aladilce, a alteração da jornada também tem provocado preocupação entre os profissionais, que precisariam reorganizar suas rotinas pessoais e profissionais. A mudança pode afetar especialmente servidores que possuem outro vínculo de trabalho e utilizam a jornada de 24 horas para conciliar as atividades.
A vereadora também citou possíveis impactos financeiros decorrentes da alteração, como o aumento das despesas com transporte e a redução da renda de profissionais que eventualmente precisem deixar outro emprego. Ela afirmou ainda que os trabalhadores podem ficar mais expostos à violência urbana em razão da necessidade de deslocamentos durante a noite.
Condições nas unidades
Aladilce relatou ainda problemas estruturais identificados durante visitas recentes ao Samu e a unidades de pronto atendimento (UPAs), entre elas as UPAs Rodrigo Argolo, em Tancredo Neves, Hélio Machado, em Itapuã, e Bairro da Paz.
De acordo com a vereadora, foram observadas instalações inadequadas e falta de medicamentos e insumos. Entre os materiais citados estão medicamentos utilizados no atendimento à saúde mental e no controle de crises de epilepsia, além de materiais para curativos, lençóis e copos descartáveis.
“Isso é que está causando problemas nas unidades, não a escala”, declarou.
Ela também apontou a falta de profissionais para os serviços de portaria e limpeza e mencionou problemas relacionados à segurança das unidades.
Para Aladilce, as condições de trabalho e a mudança na jornada devem ser discutidas conjuntamente entre representantes dos servidores, incluindo o Sindseps, e a gestão municipal. A expectativa é que uma solução negociada seja construída para reduzir os impactos da alteração sobre os trabalhadores e garantir as condições necessárias para o atendimento aos pacientes da rede de urgência e emergência.








