Grupo é investigado por planejar ataques em Brasília

Foto: Ascom / Casa Civil

A Polícia Civil do Distrito Federal identificou um grupo que articulava, pela internet, possíveis ataques contra autoridades e instalações públicas em Brasília. Os investigadores encontraram conversas sobre explosivos, estratégias para invasões e conteúdos associados ao neonazismo e à defesa da violência.

A apuração foi revelada pelo programa Fantástico, exibido no domingo (9), e apontou que os suspeitos mantinham contato exclusivamente virtual. Conforme informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, os envolvidos eram acompanhados pelas autoridades por meio de grupos fechados no Telegram.

As discussões ocorriam em duas comunidades restritas. A maior reunia mais de 600 pessoas e funcionava também como espaço para identificar integrantes considerados mais extremistas. Alguns eram direcionados a um segundo grupo, formado por 46 participantes, no qual circulavam conteúdos relacionados à preparação de possíveis ações violentas.

Em uma das comunidades, a foto de Adolf Hitler era utilizada no perfil. As mensagens analisadas pelas autoridades incluíam referências a um plano para explodir um local onde políticos eleitos participariam de um debate.

Um relatório elaborado pelo Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça voltado à investigação de crimes no ambiente digital, classificou o conteúdo como de alto risco. O documento apontou a combinação de planejamento de violência, interesse na utilização de explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo a ataques.

Segundo a investigação, os participantes também trocavam materiais que ensinavam a produzir explosivos e coquetéis Molotov. As conversas incluíam ainda estimativas sobre gastos e quantidade de materiais que seriam necessários para executar as ações planejadas.

Entre os alvos discutidos estava o Palácio do Planalto. Os investigadores encontraram mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, além da planta baixa do Palácio do Planalto. O material era usado nas conversas para avaliar possíveis caminhos de acesso e fuga.

A investigação também identificou uma preocupação dos administradores em encontrar pessoas dispostas a praticar assassinatos. Para as autoridades, esse conjunto de elementos indicava que as conversas ultrapassavam o campo da simples manifestação de ideias extremistas.

“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

O Ciberlab já havia produzido, em 2026, 103 relatórios relacionados a mais de 50 grupos classificados como comunidades de ódio. O caso investigado em Brasília integra esse esforço de monitoramento de ameaças extremistas no ambiente virtual.

Na terça-feira (4), a Polícia Civil realizou uma operação em oito cidades de cinco estados e cumpriu mandados de busca e apreensão. Computadores e celulares recolhidos durante a ação passaram a ser examinados para identificar novos envolvidos, além de verificar a extensão dos planos discutidos nas plataformas digitais.

Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. A avaliação das autoridades é de que existia possibilidade concreta de parte dos integrantes tentar transformar os planos discutidos na internet em ações violentas.

O ministro Wellington César Lima e Silva também ressaltou a importância de manter o monitoramento diante do avanço de discursos extremistas e de ameaças contra o pluralismo democrático.

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