Geddel detona ACM Neto por convite a alvo da PF em evento de segurança

Foto: Reprodução, BNewsTV

O ex-ministro e cacique do MDB na Bahia, Geddel Vieira Lima, disparou contra o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), questionando a credibilidade do rival no debate sobre segurança pública. A indignação de Geddel se concentra na presença de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), em um seminário promovido em maio pela Fundação Índigo, entidade presidida por ACM Neto, para “ensinar como se deve fazer Segurança Pública”.

A crítica de Geddel está relacionada aos acontecimentos da última terça-feira (7), quando Canella se tornou alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. O ex-prefeito foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de calibre restrito — um fuzil .556 foi encontrado em seu veículo — e é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado a cifra astronômica de R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis.

A fala de Geddel, carregada de ironia e perplexidade, coloca em xeque a coerência do discurso de ACM Neto, que tem se apresentado como uma referência nacional no combate ao crime organizado. “Esse Márcio Canellas, ex-prefeito de Belfort Roxo identificado pela PF com chefe de um grande grupo criminoso, não é o cara que o ACM Neto colocou em um seminário daquela fundação ÍNDIGO, para ensinar como se deve fazer Segurança Pública? Vixe, é ele mesmo. PQP, é esse o projeto revolucionário para a Segurança da Bahia?”, disparou Geddel, concluindo com um tom de desabafo: “Estamos arrombados.”

Em maio deste ano, a Fundação Índigo, presidida por ACM Neto e ligada ao União Brasil, promoveu o lançamento de um MBA em Segurança Pública em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O evento foi apresentado como uma iniciativa de qualificação técnica para enfrentar a criminalidade, contando com a presença de figuras como o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e, justamente, Márcio Canella, que também preside a legenda no Rio de Janeiro.

Na ocasião, ACM Neto defendeu que o conhecimento e a inteligência seriam armas essenciais para o enfrentamento às facções criminosas. A escolha de Canella, no entanto, agora é vista como um grave erro de avaliação política. A investigação da PF aponta que o ex-prefeito é apontado como o “braço político” de um grupo criminoso que opera na Baixada Fluminense. Além da apreensão do fuzil, agentes encontraram com Canella e outros alvos da operação mais de R$ 919 mil em espécie, 13 mil dólares, além de diversas armas, joias e carros de luxo.

Reprodução, redes sociais

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