Trabalhadores do sistema de transporte coletivo de Salvador decidiram permanecer mobilizados para uma paralisação imediata após o fracasso da mediação conduzida pela Superintendência Regional do Trabalho na Bahia. O encontro inaugural da Campanha Salarial 2026, encerrado sem qualquer avanço, deixou a categoria em alerta máximo diante da recusa patronal em discutir as demandas apresentadas.
O clima de enfrentamento escalou quando um porta-voz das concessionárias declarou categoricamente durante a reunião que “não temos a mínima condição de aceitar nenhuma pauta dos trabalhadores neste ano”. A sentença, proferida sob a intermediação da superintendente Fátima Freire, foi interpretada pela base sindical como uma provocação deliberada para incitar a deflagração de uma greve geral.
Representantes dos rodoviários denunciaram que as operadoras insistem em suprimir conquistas históricas consolidadas na Convenção Coletiva. Apesar do endurecimento do discurso empresarial, o sindicato assegura que mantém os canais abertos para o diálogo, condicionando a paz social à apresentação de respostas concretas sobre os pedidos da assembleia.
Entre os itens reivindicados estão recomposição salarial com ganho real, ampliação diferenciada do vale-refeição, reestruturação das tabelas horárias e a erradicação das jornadas exaustivas praticadas nos fins de semana. A pauta inclui ainda a bandeira histórica da redução para seis horas diárias de labor, além de exigências por melhores condições operacionais e escalas menos desgastantes na frota da capital baiana.
Diante do bloqueio nas conversas, uma segunda tentativa de conciliação foi agendada para a próxima terça-feira (19). A expectativa de que o novo encontro produza algum avanço divide o meio sindical, enquanto cresce o temor de colapso na mobilidade urbana.
A autorização para a paralisação foi ratificada em segundo turno durante Assembleia Geral Extraordinária na quinta-feira (14), na sede do sindicato, no bairro de Brotas. O veredito unânime reforçou a deliberação já aprovada no primeiro escrutínio realizado horas antes, conferindo à direção da entidade o aval para cruzar os braços a qualquer instante, caso a intransigência persista.









