Quebra de sigilo do Golpe do Pix revela intimidação contra vítimas

Foto: Reprodução, redes sociais

O processo sobre o Golpe do Pix ganhou novos detalhes nesta quarta-feira (6), após a Justiça retirar o sigilo da ação que tramita na Vara de Organizações Criminosas de Salvador. Entre os pontos revelados estão relatos de intimidação e medo vividos por vítimas ligadas ao caso que envolve o apresentador Marcelo Castro, da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia.

Marcelo Castro e o editor Jamerson Oliveira respondem judicialmente por suspeita de participação em um esquema criminoso que teria desviado recursos arrecadados em campanhas exibidas na televisão. Segundo o delegado Charles Leão, responsável pelo inquérito da Polícia Civil, uma das pessoas ouvidas durante as investigações afirmou ter receio de sofrer represálias e até ser assassinada.

“Houve a ocorrência de uma vítima reportar situação de medo, de perigo, de risco. Medo de ser assassinada em nome de Marcelo Castro”, declarou o delegado em depoimento. Conforme os autos, o temor estaria relacionado à forma como o jornalista se apresentava em algumas ocasiões, acompanhado de homens armados.

Para vítimas em situação de extrema vulnerabilidade social, a presença do grupo era interpretada como uma ameaça velada. As informações sobre o conteúdo do processo foram divulgadas inicialmente pelo portal BNews.

Durante o depoimento, o delegado também detalhou a estrutura que, segundo a investigação, sustentava o funcionamento do esquema. Na avaliação dele, o editor Jamerson Oliveira ocupava posição central na operação. “Eu sinto que ele é a função essencial dentro dessa coisa. Sem ele nada aconteceria”, afirmou Charles Leão.

O delegado apontou que Jamerson seria responsável por definir quais campanhas seriam exibidas e quais chaves pix apareceriam durante os programas. Lucas Costa Santos, citado no processo, teria atuado diretamente na seleção das famílias beneficiadas e no recrutamento de pessoas que emprestavam contas bancárias usadas para receber os valores arrecadados.

Já Marcelo Castro aparecia nas reportagens e fazia os pedidos de doação ao público. Na época dos fatos investigados, ele trabalhava na Record Bahia e foi desligado da emissora após o caso se tornar público.

De acordo com as investigações, o grupo teria atuado por um período de um ano e cinco meses. Nesse intervalo, as campanhas solidárias arrecadaram aproximadamente R$ 543 mil. A apuração policial aponta que R$ 407 mil teriam sido desviados, o equivalente a cerca de 75% do total recebido.

O julgamento será retomado nesta quinta-feira (7), quando os réus devem ser interrogados. A defesa tenta afastar a associação dos acusados a um suposto padrão de vida luxuoso. Entre os argumentos apresentados está o fato de Jamerson Oliveira morar em um imóvel alugado.

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