Em julgamento realizado nesta quinta-feira (30), a 3ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu absolver o técnico Jair Ventura, mas impôs penas ao atacante Erick e ao presidente Fábio Mota, ambos do Vitória. Eles foram punidos por críticas direcionadas à arbitragem da partida contra o Athletico-PR, disputada no dia 26, válida pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ainda cabe recurso da decisão.
Os três foram enquadrados no artigo 258, parágrafo segundo, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de “desrespeitar os membros da equipe de arbitragem ou reclamar desrespeitosamente contra suas decisões”. O atacante Erick recebeu suspensão de dois jogos, enquanto o mandatário Fábio Mota foi afastado por 30 dias. O comandante Jair Ventura, por sua vez, não sofreu qualquer gancho.
Após o confronto, o jogador do Vitória afirmou que a equipe foi “roubada de novo”, fazendo alusão à partida anterior contra o Flamengo, também cercada por reclamações da agremiação baiana. Durante o julgamento, Erick admitiu ter sido infeliz na declaração: “Primeira vez que estou aqui, tenho mais de 300 jogos na carreira e nunca fui expulso. Depois do jogo contra o Athletico eu estava exaltado, no calor da partida, e acabei falando que nossa equipe foi roubada. Acho que fui infeliz na minha fala, não queria dizer que o árbitro é ladrão nem nada. Apenas queria dizer que minha equipe foi prejudicada.”
Jair Ventura, que após o duelo chegou a declarar que a reclamação iria “acabar em pizza”, explicou seus termos perante os julgadores. O treinador garantiu não ter desrespeitado a arbitragem: “Nunca estive aqui. São dez anos de carreira, dez clubes, 414 jogos. Tenho duas expulsões. Sobre o que eu estou sendo julgado, por desrespeito, nunca estive aqui. Usei o ‘acabar em pizza’, que é um jargão popular. A comissão de arbitragem falou para a gente que tiveram erros nos dois jogos. Eles reconheceram que houve erros nos dois jogos. Se eles reconhecem o erro e não tem consequência administrativa, isso não termina em pizza? Então foi isso que eu falei. Reconheceram os erros e nada foi feito. Os pontos não vão voltar, o jogador não vai ser suspenso. Eles reconheceram o erro, foi isso que eu quis dizer. Que os erros foram reconhecidos e nada foi feito. Eu não fui ofensivo, não teve desrespeito. Se reconhece o erro, tinha que ter feito alguma coisa. Foram três erros em cada jogo e não teve consequências. Acho que está muito claro o que eu quis dizer, mas em nenhum momento com desrespeito. A gente saiu prejudicado. Esses pontos não vão voltar. Times são rebaixados e perdem títulos por causa de um ponto.”
O presidente Fábio Mota também se manifestou após a partida, classificando a atuação da arbitragem como “escândalo”. Em sua defesa, o dirigente alegou ter feito um pronunciamento direcionado a Rodrigo Cintra, coordenador geral da comissão de arbitragem da CBF. Durante a audiência, pontuou: “Falta de uniformização. As decisões tomadas nos jogos não são iguais mesmo com casos idênticos. O que foi pênalti no jogo do Athletico, em milhões de lances aqui no Brasil não é dado. Do jeito que está caminhando a Série A vai virar um campeonato do eixo, ano passado caíram três do Nordeste. Não tem uniformização. Essa é a grande verdade. […] Nós fomos prejudicados no jogo do Flamengo e fizemos a representação junto a CBF. Depois fomos prejudicados também contra o Athletico. Foram dois jogos seguidos. Contra o Athletico teve um pênalti que ele deu e ninguém daria. Um atleta nosso recebeu um pontapé que deveria ser para cartão vermelho. E outro atleta nosso recebeu uma entrada violenta e rompeu o tendão. Houve interferência nos resultado das partidas em virtude desses erros.”
“A minha fala não foi desrespeitosa. O que estou fazendo é uma reivindicação. Não é fácil fazer futebol no Nordeste. Ver tudo acontecer de novo. Estou há quatro anos e meio no Vitória, nunca recebi denúncia. Mas quando você passa o que passou, você vê o que é difícil”, acrescentou.
Desfecho e possibilidade de recurso
Com a decisão do STJD, Erick só poderá atuar diante do Coritiba, neste sábado, pela 14ª rodada da elite nacional, caso o clube baiano obtenha efeito suspensivo. O Vitória ainda pode recorrer da punição imposta ao seu presidente e ao atacante.
Entenda os lances contestados
O clube nordestino protocolou na última segunda-feira uma representação à CBF com queixas sobre quatro lances ocorridos contra o Athletico-PR. A equipe contesta a marcação de um pênalti de Cacá em Viveros, ainda na etapa inicial. O Rubro-Negro também solicitava a expulsão do volante Luiz Gustavo, que acertou um chute em Zé Vitor aos sete minutos do primeiro tempo.
Na visão da agremiação baiana, o atleta do Furacão — punido com cartão amarelo na ocasião — deveria ter sido expulso posteriormente por simular uma falta e tocar a bola com a mão.
Outro pedido de expulsão envolve o zagueiro Arthur Dias, autor de um carrinho em Renê aos 22 minutos do segundo período. O árbitro Bruno Arleu de Araújo optou por aplicar apenas o amarelo ao defensor.









