Líderes de duas das principais forças políticas da Bahia costuraram nos bastidores um acordo para que o escândalo envolvendo o Banco Master não se transforme em arma na disputa eleitoral deste ano. Segundo o jornal O Globo, a articulação ocorre entre aliados do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e do senador Jaques Wagner (PT), que também comanda a base governista no Congresso.
O entendimento firmado entre os grupos estabelece que as suspeitas de relações financeiras com a instituição não serão exploradas durante a campanha de 2026. Enquanto ACM Neto volta a concorrer ao governo estadual, Wagner tentará a recondução ao Senado na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tentará a reeleição.
Os dois nomes foram citados em episódios distintos envolvendo o conglomerado financeiro. No último dia 11, uma reportagem mostrou, com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que o ex-prefeito recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag. Os repasses ocorreram entre março de 2023 e maio de 2024. Em resposta, ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça.
Já no dia 18, uma publicação apontou que a nora do senador Jaques Wagner recebeu ao menos R$ 11 milhões oriundos do Master. O montante foi direcionado à BK Financeira, empresa da qual Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do parlamentar, é sócia. O contrato data de 2021. Em nota, Wagner declarou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
O acerto entre os adversários foi selado depois que aliados próximos avaliaram que a troca de acusações sobre o tema traria mais desgaste do que benefícios para ambos os lados. Procurados para comentar o acordo, ACM Neto e Jaques Wagner não se manifestaram.









