O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), atribuiu a origem do escândalo de corrupção envolvendo o Banco Master a decisões tomadas durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista concedida nesta segunda-feira (23), o petista apontou a indicação de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central (BC), em 2019, como o ponto de partida para as irregularidades que culminaram na liquidação da instituição financeira.
Ao abordar o caso, o ministro classificou as discussões atuais como “disputas de narrativas falsas” e defendeu a necessidade de investigar as origens do problema para que os responsáveis sejam corretamente identificados. Ele provocou uma reflexão sobre o processo de autorização que permitiu ao empresário Daniel Vorcaro comandar a instituição.
“É preciso fazer uma pergunta: em que momento foi autorizado que Daniel Vorcaro comprasse um banco e virasse banqueiro? Para alguém virar banqueiro, não basta fazer um contrato, pois o Banco Central precisa autorizar”, declarou.
Segundo o petista, em fevereiro de 2019, antes da posse de Campos Neto, o BC havia negado o pedido de aquisição do banco por Vorcaro, alegando falta de comprovação de recursos financeiros. Após a troca no comando da autarquia, em outubro do mesmo ano, o parecer foi alterado, permitindo a compra.
“Em fevereiro de 2019, Vorcaro teve o pedido de compra do banco negado pelo Banco Central, que viu que ele não tinha dinheiro. Em outubro do mesmo ano, quando Campos Neto assumiu, mudou-se o parecer e a instituição autorizou ele a comprar o banco”, afirmou Rui.
O ministro questionou a motivação por trás da mudança de entendimento e destacou que, nos anos subsequentes, a instituição financeira “dobrando de tamanho todos os anos”. Ele ressaltou que apenas sob a nova gestão do Banco Central comandada por Gabriel Galípolo — indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —, as fraudes começaram a ser identificadas. Galípolo determinou uma auditoria que constatou as irregularidades e resultou na liquidação do banco.
“Lula indicou Gabriel Galípolo. Assim que ele assumiu, começou a enxergar problemas no balanço e montou uma auditoria, que constatou as irregularidades. Gabriel Galípolo foi responsável pela fiscalização e liquidação do Banco Master”, disse.









