A diretora de uma instituição voltada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica foi presa temporariamente na última segunda-feira (23), suspeita de cometer tortura dentro da própria unidade que liderava em Jequié, no sudoeste da Bahia. A Operação Elas por Elas, deflagrada pela Polícia Civil, também investiga a gestora pelos crimes de peculato, estelionato e lavagem de capitais.
Segundo o G1 Bahia, Elma Brito, que liderava a Casa das Mulheres, em Jequié, no sudoeste baiano, é a suspeita que teve a prisão temporária decretada. As autoridades também estão à procura de Nadir Carvalho, uma das assistidas pela fundação, que teria auxiliado a presidente durante um dos episódios de agressão contra uma adolescente, conforme informações da TV Sudoeste, afiliada da TV Bahia.
As imagens obtidas pelos investigadores mostram cenas de violência explícita: uma jovem, com apenas 17 anos à época, é arrastada pelo chão, puxada pelos cabelos e atingida com um tapa no rosto. Em um dos momentos, após ser segurada pela assistida, a vítima foi acorrentada pela suspeita.
Durante os cumprimentos de mandados de busca e apreensão, os agentes apreenderam aparelhos celulares, computadores, documentos e um veículo Corolla Cross, materiais que passarão por perícia para subsidiar o aprofundamento das investigações.
De acordo com o diretor da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Sudoeste), delegado Roberto Júnior, “as investigações policiais se iniciaram a partir da obtenção de informações testemunhais de que a suspeita, presidenta da associação, praticava, com habitualidade, atos de violência física e psicológica em detrimento de acolhidas. Em confirmação às imputações, tivemos acesso a uma mídia extraída diretamente do sistema de gravações da entidade, em que é possível constatar, com clareza, a mulher praticando atos de tortura em face de assistida que, à época, possuía apenas 17 (dezessete) anos de idade. O ato durou mais de sete minutos, contando com puxões de cabelo, arrastamento, imobilização, tapas, chacoalhões e emprego de corrente ao redor dos pulsos da vítima.”
Além das agressões, os investigadores identificaram indícios de irregularidades financeiras, incluindo possível desvio de recursos públicos e movimentações consideradas suspeitas. A instalação de câmeras de monitoramento em um dos quartos da entidade também configurou violação à intimidade das acolhidas.
A Justiça autorizou o afastamento cautelar da diretoria da entidade investigada, a nomeação de um interventor judicial para a administração provisória da instituição e o acesso a dados armazenados nos dispositivos eletrônicos apreendidos. A decisão prevê ainda o encaminhamento das possíveis vítimas à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.
As diligências foram conduzidas pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jequié, com o apoio da 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Jequié), da Deam de Vitória da Conquista, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), do Departamento de Polícia Técnica (DPT), das Delegacias Territoriais de Jequié, Jaguaquara e Ipiaú, além da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Sudoeste).









