A reunião entre o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em Brasília já repercute nos círculos petistas como um marco na definição dos rumos da sucessão estadual. Para o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, o encontro ocorrido na última terça-feira (17) dissipou qualquer ambiguidade sobre o posicionamento do vice-presidente do União Brasil no cenário político baiano.
Em análise contundente, o dirigente afirmou que a aproximação pública com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e com o comando nacional do PL explicita uma guinada definitiva do carlismo em direção à oposição ao governo Lula. Valadares classificou o gesto como uma declaração de campo, especialmente após a trajetória do ex-prefeito na eleição anterior.
“Se restava alguma dúvida, se alguém ainda não acreditava, o assunto está encerrado: ACM Neto assumiu ser o anti-Lula na Bahia. A reunião, e sobretudo, a foto da reunião, foi muito emblemática e fala por si só. ACM Neto abandona o ‘tanto faz’, assume a campanha de Flávio Bolsonaro, abraça Valdemar da Costa Neto e se apresenta como o adversário de Lula, como o inimigo de Jerônimo, Wagner, Rui, o candidato contra o time de Lula”, declarou.
O secretário também fez um contraponto com o comportamento adotado por ACM Neto no pleito de 2022, quando optou por não declarar apoio formal a nenhum dos presidenciáveis durante o segundo turno, numa estratégia interpretada por analistas como tentativa de preservar capital eleitoral em bases distintas. Agora, na avaliação de Valadares, o cenário se apresenta com mais clareza para o eleitor.
“Eu não sou conselheiro de grupo adversário, mas como dirigente político posso comentar que dessa forma, cartas na mesa e sem teatro, a disputa fica melhor. Na eleição passada ele, Neto, subiu no muro e não teve posição de liderança. Agora, ao assumir ser inteiramente contra Lula, fica mais fácil passar um risco no chão e a sociedade baiana identificar os dois distintos projetos em disputa. De um lado a gente, do outro ACM com Bolsonaro”, concluiu.









