Criminosos utilizaram dados reais de um processo e encenaram uma audiência judicial virtual para aplicar um golpe e subtrair R$ 4,6 mil de um homem em Osasco, na Grande São Paulo. A vítima, cuja esposa era parte na ação verdadeira, foi contatada por um perfil falso de escritório de advocacia no WhatsApp. Segundo o Diário Justiça, para tentar reaver o valor, o rapaz processou a instituição financeira que recebeu a transferência, mas a Justiça não identificou falha do banco.
A abordagem começou com uma mensagem informando uma decisão favorável que liberaria supostamente R$ 91,9 mil. Em seguida, uma envolvida no esquema encaminhou um documento e iniciou uma videoconferência, onde simulou uma audiência com a presença de uma pessoa que se identificou como juiz. Durante a reunião falsa, a vítima foi induzida a zerar sua conta e realizar uma transferência via Pix como “condição” para receber o montante.
Após a transação, a desconfiança surgiu quando os estelionatários passaram a exigir novos comprovantes. Ao consultar seu advogado, o homem descobriu que se tratava de uma fraude. O banco informou a impossibilidade de estorno, levando-o a registrar um boletim de ocorrência e a ingressar com uma ação de indenização por danos materiais e morais contra a instituição financeira.
A 6ª Vara Cível de Osasco julgou improcedente o pedido, absolvendo o banco. Na sentença de dia 14 deste mês, o magistrado Luís Gustavo Esteves Ferreira considerou que “ao examinar detidamente o caso em apreço, percebe-se que a fraude sofrida pelo autor, embora deplorável e articulada com requintes de verossimilhança, não decorreu de uma falha intrínseca e incontrolável dos sistemas de segurança do banco”.
STJ alerta para golpe semelhante
O caso ocorre em um contexto de alerta emitido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre outras fraudes no âmbito judicial que utilizam aplicativos de mensagem. Criminosos se passam por representantes da corte com o objetivo de obter valores. O tribunal reforça que não possui canal de atendimento judicial no WhatsApp e não inicia contatos sem prévia provocação da parte interessada.
A corte também não solicita pagamentos, senhas ou dados pessoais. Um dos principais canais oficiais para informações processuais é o Balcão Virtual, via plataforma Zoom, após solicitação formal. Contatos adicionais, quando necessários, são realizados por e-mail. O STJ não utiliza números de celular para falar com partes ou procuradores.








