A promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Lívia Maria Sant’Anna Vaz, relatou ter sido vítima de assédio enquanto corria na orla de Salvador. O episódio, que ocorreu nesta semana, ganhou contornos de violência racial após o autor do assédio questioná-la: “Você é preta e não aceita elogio?”.
Lívia contou que caminhava com uma amiga, iniciando o aquecimento para a corrida, quando foi abordada por um homem desconhecido. Ele se aproximou por trás e começou a proferir falar obscenas.
“Quando nós iniciamos o aquecimento, ainda estávamos caminhando, um homem se aproximou por trás e começou a falar obscenidades. Eu não sabia ainda se era comigo, com ela, conosco, então nós continuamos caminhando, até que ele ficou lado a lado comigo, se virou para mim e repetiu”, detalhou a promotora em vídeo.
Ao ser questionado se dirigia a fala a ela, o homem reagiu com hostilidade. “Foi assim que ele se referiu a mim: ‘Você é preta e não vai aceitar um elogio meu? Qual é o problema em fazer um elogio?’. Eu me virei para ele novamente e disse, dá licença, eu não te conheço. Ele seguiu adiante e o tempo inteiro, durou mais ou menos uns cinco, sete minutos, ele voltava, se virava para trás e falava conosco em tom ameaçador”, relatou.
Em determinado momento, o indivíduo desferiu um soco violento em uma lixeira pública. A promotora refletiu sobre o caráter racial da agressão: “Será que se fosse uma mulher branca, ele teria reagido assim? Ele disse, você é preta, ou seja, eu posso, eu estou autorizado a lhe impor um elogio e você tem que aceitar. E quando não é aceito, esse homem reage com força bruta”.
A promotora utilizou suas redes sociais para dar visibilidade à ocorrência, que pode ser enquadrada como injúria racial e assédio.










