O senador Jaques Wagner (PT) afirmou que a condução da votação do PL da Dosimetria no Senado ocorreu em um cenário de derrota já consolidada para o governo e que sua ação buscou viabilizar outras pautas de interesse do Executivo. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Metrópole FM nesta segunda-feira (22), como forma de rebater críticas recebidas.
Wagner explicou que, apesar de ser contrário ao mérito da proposta, três tentativas de adiar a análise foram derrotadas, evidenciando a maioria parlamentar favorável. “Estava consagrado que tinham maioria para votação desse PL”, disse o senador. Diante disso, ele optou por ir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para tentar um acordo processual.
Segundo seu relato, a única alternativa remanescente seria um pedido de vista de cinco dias pelo senador Otto Alencar (PSD), o que postergaria a votação para o ano seguinte sem perspectiva de vitória. “O jogo estava jogado. Remanescia uma hipótese de Otto dar uma vista de 5 dias e iria cair para o ano que vem e na minha opinião a gente não ia ganhar nada e aí fizemos essa combinação”, afirmou Wagner. O parlamentar reforçou sua oposição pessoal: “Nunca defendi e nem votei a favor do PL da dosimetria”.
O senador negou veementemente ter feito qualquer acordo sobre o conteúdo da proposta ou ter consultado o presidente Lula (PT). Ele assegurou que o objetivo era destravar a votação de outro projeto de interesse do governo, como o que trata da taxação das bets.
“Não vendi democracia nenhuma, o presidente Lula já disse que vai vetar e nós votamos contra. Mas democracia é isso: quem tem maioria ganha. Só fiz condução para atingir um objetivo que nós tínhamos. Não negociei Dosimetria”, declarou.










